Sangue inocente.

 Aldo  Meio Ambiente  27/08/2017

 

As religiões afro-brasileiras são importantes pilares da cultura e da resistência de seu povo e assim devem ser mantidas e respeitadas. Entretanto, elas fazem parte do hall de religiões que entendem o sangue como vida e fazem dele seu instrumento para rituais de comunhão com o Divino.

A exemplo disso, podemos citar o Judaísmo, que pratica rituais de sangue. Infelizmente fazem questão de sangue inocente, sentem-se autorizados a dispor de outras vidas, usam animais indefesos.

O Cristianismo apregoa a abolição dos rituais de sangue com o martírio e sacrifício de Jesus na cruz e com o ritual da hóstia e do vinho sendo elementos simbólicos. Apesar disso, as datas religiosas cristãs ainda são celebradas com animais mortos na mesa, ainda que não tenham sido mortos em rituais. Isso se deve, é claro, a interesses alheios à religião – é claramente interesse mercadológico.

A culinária também é um aspecto cultural importante de um povo, também pode explicar suas origens, características e contextos. Aliando a culinária e a religião temos uma riqueza antropológica ímpar.

Mas há um Deus que é implacável, suas ações são inexoráveis e ele atinge a todos até aos ateus. É o Deus “Tempo”. Alguns segmentos do candomblé têm um orixá chamado Tempo e a mitologia grega já trazia o deus Cronos. Esses  mitos representam esse poder da Natureza, do qual nenhum ser vivo está livre.

As antigas religiões são patrimônio cultural de seus povos, mas devem obedecer às lições do Deus Tempo que exorta a todos para que evoluam, sob pena de desaparecer, de minguar, se tornar decadente ou inútil.

Os rituais de sangue são um atraso e infelizmente nem atendem aos seus conceitos primordiais, parecem agora servir a jogos de poder, status, vaidades, ostentações ou ao deus mercado.

Alguns sacerdotes mais esclarecidos  falam em substituir os rituais de sangue por outros elementos (alguns já o fazem), já que o verdadeiro significado desses rituais é o sacrifício do ego, de nossas vaidades, ilusões e picuinhas, é essa a única e verdadeira lição desses rituais. É por isso que não faz sentido algum sacrificar seres inocentes.

Em hipótese alguma isso é racismo ou preconceito, ao contrário, queremos a preservação das raízes afro. Nossa posição é muito clara: os inocentes não deveriam sofrer pelas nossas mãos, eles não têm possibilidade de escolha ou entendimento, para eles só há medo e dor. Ora, ninguém deveria se prestar a uma atitude dessa, muito menos grupos religiosos que deveriam espalhar as lições do Amor, da Compaixão, da Ética, do Bom Senso.

Por isso conclamamos a todos que repudiem essa prática e pedimos aos grandes sacerdotes e líderes que considerem com atenção a possibilidade de abolir os rituais de sangue, perguntando diante de seus espelhos, no conforto e segurança de seus lares e aposentos:

- Derramar sangue inocente para quê? Para quem?

 

Professora Elaine Rhiannon -  Comissão de defesa dos animais da apeoesp-sbc