O sufrágio Universal: pelo direito da mulher participar da vida política.

 Aldo  Mulheres em ação  03/11/2017

3 de novembro é a data em que comemoramos o direito das mulheres votarem. Apesar de somente em 1946 o voto da mulher se tornou obrigatório, este direito de cidadania se iniciou em 1930, contudo somente mulheres casadas e com a autorização do marido podiam votar. Em 1934 o voto se torna universal, mas somente em 1946 ele se tornou uma instituição natural da vida política brasileira.  Já passam 97 anos e ainda muitos se questionam sobre o lugar da mulher na política brasileira e mundial. Minha inspiração sempre foi e será a polonesa Rosa Luxemburgo e sua atuação na política. Com ela aprendemos que nossa atuação de mulher  é muito maior do que debater o sexismo, este tema é muito importante porque sofremos a opressão determinada na divisão sexual do trabalho, em que homens assumem o comando da vida pública porque sua natureza é da produção e nós mulheres somos responsáveis pelas tarefas secundárias pois o nosso papel é de reprodutoras do sistema político, econômico e social vigente.

Importante que se diga que nós mulheres podemos comandar e governar o espaço público. Somos as melhores para denunciar as mazelas que a divisão sexual do trabalho faz com o gênero feminino e por isso temos a função de  organizar as mulheres para que suas vidas não sejam tão duras, tão difíceis. Vale lembrar que ainda não nos libertamos da condenação do aborto mesmo sabendo que os homens abandonam as mulheres, toda cobrança recai sobre elas e pouco se fala em planejamento familiar nas relações entre homens e mulheres. Quando se fala em reprodução sexual parece-nos que  a responsabilidade é toda da mulher, estamos em 2017 e ainda muitos homens  se negam usar camisinha, é sempre a mulher que deve ter domínio e controle de seu ciclo menstrual, em linhas gerais a sociedade contemporânea ainda trata a mulher  como se toda reprodução biológica fosse de sua responsabilidade. Este fato nos impõe mais limites sobretudo quando temos de planejar nossa carreira profissional.

Além disso, trabalhamos mais do que os homens porque a dupla e tripla jornada de trabalho é dada como um elemento da vida da mulher e ainda sofremos a ditadura da beleza porque nós mulheres temos de ser sexy e bonitas pois somos a estética da vida pública, são tantas amarras que nos distanciam do voto e da possibilidade de sermos reconhecidas como uma voz capaz de representar o interesse público no parlamento ou administrar uma cidade comandando o executivo municipal, estadual ou federal.

Infelizmente a divisão sexual do trabalho apesar de milenar ainda é bem atual. Na estrutura patriarcal vigente somos um corpo que deve ser sexy para os olhos masculinos depois somos uma mulher trabalhadora que tem vida interior, sentimento, luta pela vida e desejo de influir nos destinos da vida pública. Quantas mulheres ainda são estupradas nos espaços privado e público da sociedade de classe? São tantas as amarras que se põe sobre nós, mas hoje é dia de comemorar o direito conquistado pelas mulheres dos anos 30 do século XX e ainda olhando para o horizonte dizemos que há muito por fazer.

 Viva as mulheres do mundo, viva o direito de votar e ser votada. Viva a independência econômica advinda do trabalho que a mulher realiza na sociedade de classe e fortalece sua identidade social. Enfim, viva o nosso jeito mulher de ser: não pensamos com a cabeça e cultura dos homens,  pensamos e temos a nossa própria cultura, governamos como as mulheres governam. Para onde vamos levamos nossa casa, temos o cuidado com a vida, abraçamos, beijamos, conversamos com naturalidade, essa é a antropologia milenar que ajuda a compreender um tipo feminino de ser.  Temos o cuidado com os filhos e com nossos companheiros, quando somos tigresa é porque a realidade exigiu, também somos Maria Bonita na vida. Respeito às mulheres e sobretudo respeito a opção de voto das mulheres nas urnas, que não hajam golpes e rasteiras destinados a nós, que sempre matamos um leão por dia e deixamos o outro dependurado. Hoje é dia de lembrar que há cem anos mulheres lutavam pelo direito de participar na vida pública e o dia 3 de novembro é simbólico porque ainda poucas mulheres ocupam cargos de comando na sociedade  de classe brasileira e muitas não vêm no voto o sentido que ele possui.

 

Prof. Cristiane Gandolfi, Mestre em Educação, Sociologa e Pedagoga. Professora da Universidade Metodista de São Paulo desde o ano de 2005.