Nota contra o aumento da tarifa de ônibus do ABCDMRR.

 Aldo  Movimentos Sociais  05/01/2018

NOTA DO COMITÊ REGIONAL CONTRA O AUMENTO DE PASSAGENS DO ABCDMRR

No final do ano de 2017, o prefeito de São Paulo anunciou reajuste no valor das passagens de ônibus, de 3,80 para 4 reais.  Precavido em relação a outros anos, onde o aumento da capital influenciou o ABC, o “Comitê Regional Contra o Aumento de Passagens do ABCDMRR” já se organizou, chamando um encontro para o dia 6 de Janeiro, visando organizar a luta para o dia 9;onde se realizará uma reunião do Consórcio Intermunicipal do ABCDMRR, espaço onde os prefeitos se reúnem para discutir assuntos regionais.

 De acordo com o veiculado pela imprensa local, será nesse local em que serão discutidos os reajustes de tarifa da região. 
A nosso ver, isso parece uma imensa contradição. Por dois motivos. Primeiro: cada cidade da região tem uma extensão territorial, contingente populacional e quantidade ruas diferentes, especificidades que influenciam diretamente na tarifa e que deveriam ser discutidas no âmbito de cada cidade. Segundo: em anos anteriores, quando este comitê pautou o Consórcio Intermunicipal, este repassava as responsabilidades do reajuste das passagens ás prefeituras. O que mudou? Será que o Consórcio tomou para si essa tarefa para blindar os prefeitos? Será que os prefeitos estão utilizando o Consórcio como muleta para concederem os aumentos sem maiores críticas? Ficam os questionamentos. 

O que não é questionável, todavia, é que os prefeitos da maioria das cidades brasileiras tratam a mobilidade urbana como mercadoria, quando esta, desde 2015 é um direito social previsto na Constituição Brasileira. É por isso que eles se acham no direito de reajustar as tarifas sem qualquer debate com a população.

 No ABCDMRR, isso não é diferente. Pelo contrário, é até pior. Aqui, entra em cena, de maneira decisiva, a influência da máfia de transportes, que tem um de seus representantes preso e outro envolvido até as tampas com problemas judiciais. Essa máfia elege prefeitos e influencia de maneira direta  o debate sobre a mobilidade urbana em nossa região. É preciso pensar um contraponto a ela. E esse contraponto precisa vir necessariamente das ruas, da organização do povo em torno da pauta da mobilidade urbana. 
Este comitê se coloca CONTRA QUALQUER AUMENTO DE TARIFA e favorável a  organização popular e amplo debate a respeito das políticas públicas de mobilidade urbana.  Defende a Tarifa Zero para todas as pessoas, pois só dessa maneira a mobilidade urbana sairá de um direito de papel para um direito efetivo. 

Comitê Regional Contra o Aumento de Passagens do ABCDMRR, 5 de Janeiro de 2018.