“EU NÃO SOU TIA, SOU PROFESSORA READAPTADA”

 Aldo  Cidades  03/01/2018

Boletim Informativo APEOESP-SBC                  

N°2, ANO 1, Novembro-Dezembro de 2017

“EU NÃO SOU TIA, SOU PROFESSORA READAPTADA”

Invisibilidade,  rebaixamento, destrato são dramas diários dos profissionais adoecidos

Diretores da APEOESP-SBC e um grupo de professoras estiveram, no dia 12 de dezembro, reunidos com a dirigente regional de Ensino, professora Vanderlete  M. Lozano Chiuffa Correra. Na pauta, foram discutidas questões como abertura de EJA e curso noturno, reforma de prédios, e os problemas que professores readaptados vêm enfrentando nas unidades escolares, desde assédio moral, desvio de função, mudança de sede. Bem como irregularidades no procedimento adotado pelos médicos conveniados e ou terceirizados do Departamento de Perícias Médica do Estado de São Paulo – DPME, responsáveis pela realização de perícias nos professores da rede estadual de ensino.

Segundo informou a dirigente de ensino, não há previsão de fechamento de escolas, mas de abertura de curso noturno e EJA. No entanto, apesar do abaixo-assinado com 1.500 assinaturas para a implementação do curso noturno na Tito Lima, no Estoril, a professora Vanderlete informou que o prefeito Orlando Morando, em acordo com o presidente da SAB local, pretende assumir a escola com período integral, já que o prédio é da prefeitura.

              A professora informou ainda que houve negativa por parte do supervisor para abertura de curso noturno de ensino médio tanto no Mizuho por falta de demanda, como no Yolanda, que poderia implicar em fechamento do Brazília Tonde e Joaquim Bernardes. No Caputo está previsto o EJA, assim como na São Pedro, faltando apenas regulamentação pela escola.

O coordenador da subsede, professor Aldo Santos, mesmo diante  da negativa da abertura do noturno no Yolanda, afirmou que os professores, bem como a comunidade estão fazendo mobilizações,  como panfletagens, passando abaixo assinado, passando carro de som no sentido de  viabilizar  o funcionamento no período noturno na referida escola. Em relação a Escola Tito Lima, também vamos continuar na luta para que a mesma não seja fechada, uma vez que não  concordamos  com o parecer do supervisor  com a negativa da abertura do ensino médio no período noturno nem com a atitude do prefeito.

              A averiguação de arbitrariedades e falta de transparência por parte da ex-diretora da São Pedro, de acordo com a dirigente regional, já se tornou apuração e foi enviada para indicação de processo à Procuradoria Geral do Estado. Quanto às reformas urgentes que precisam ser feitas naquela escola, que teve inclusive a biblioteca destruída por conta das fortes chuvas recentes, Vanderlete informou que a Secretaria já autorizou o serviço, mas não o dinheiro.

              Sem maiores informações por parte da Diretoria de Ensino, a Maria Osório segue com graves problemas na caixa de luz, o que põe em risco a vida da comunidade escolar. E o Yolanda com a reforma inacabada e a quadra totalmente parada. Problemas que se repetem no Julieta e Maria Auxiliadora, cujas quadras ou estão descobertas ou com suas estruturas corroídas, além de inúmeras outras unidades escolares.

Sofrimento e angústia

O Sindicato entrou no início de dezembro com pedido de abertura de processo para apuração de irregularidades no procedimento adotado pelos médicos conveniados e ou terceirizados do DPME, que são responsáveis pela realização de perícias nos professores da rede. Os docentes reclamam do mau atendimento e até destrato no momento em que se submetem à perícia.

As denúncias feitas e que chegaram ao sindicato vão desde assédio moral, ao deboche por parte dos profissionais. Uma professora relata que o médico perito que a atendeu exigiu que ela tirasse a roupa. Ao se recusar, ele a ameaçou “problema é seu, se não tirar, não vai ter perícia”. Tirando a roupa, o médico passou a filmá-la de todas as formas, questionando se ela “queria ganhar dinheiro”. Após o ocorrido ela entrou em crise de pânico e choro.

Outra professora, readaptada por ser portadora de distrofia retiniana e ceratocone, foi convocada para realização de perícia no sentido de apurar a necessidade de manutenção da readaptação. Convocação que acontece por meio de publicação em Diário Oficial, mas que por seu problema visual ela não tem condições de acompanhar os jornais e acreditou que seria notificada pelo Gerente de Organização Escolar. Com isso, sem saber a data, ela não compareceu, o DPME simplesmente cessou a readaptação da professora.

              A postura dos referidos profissionais é inaceitável, ferindo o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, na medida em que já estão doentes, com sua autoestima abalada.

              Segundo pesquisa da CNTE, hoje há uma prevalência das doenças e sintomas de saúde mental e psicológica – estresse, depressão, ansiedade, síndrome do pânico, entre outras - em relação a problemas físicos que afligem os professores. Tudo isso se agrava ainda mais quando o profissional é readaptado, ou pior quando tem sua readaptação cessada, mesmo sem condições de estar em sala de aula.

              Se não bastasse os constrangimentos com os médicos peritos, os professores enfrentam os dissabores no dia a dia das escolas. “Somos rebaixados a subcategoria, somos sucateados, invisibilizados”, desabafou uma das professoras presente à reunião na Diretoria de Ensino.

              “Readaptação não é rebaixamento. Eu não sou tia, como me chamam na secretaria da escola, alunos e colegas, continuo sendo professora”. As professoras reclamaram também do descaso dos GOES – Gerentes de Organização Escolar -  para com os profissionais readaptados. “Querem que sejamos pau para toda obra, já que você não está fazendo nada... Tem gente que trabalha até na cozinha”, em um claro desvirtuamento de função.CASO TENHAM ALGUMA DENÚCIA, FAVOR ENCAMINHAR ÁS SUBSEDES DA APEOESP PARA OS DEVIDOS ENCAMINHAMENTOS.

              A dirigente regional comprometeu-se em levar a questão na reunião de todos os dirigentes de São Paulo, que acontecerá nos dias 19 e 20 próximos.

Dezembro de 2017.   Informe da Coordenação da apeoesp –sbcampo.