Apesar de Temer as consequências deste "longo ano politicamente falando", Sigo em frente semeando esperança rumo a utopia possível.

 Aldo  Movimentos Sociais  04/01/2018

RETROSPECTIVA: AS BATALHAS DE 2017

Olho pra trás e nem avisto mais onde se iniciou a jornada, foram tantos encontros, reencontros e desencontros, risos e lágrimas, exaustiva e prazerosa labuta alimentada com pó de giz e tinta a colorir a vida de Ninfas e Imberbes no chão das salas de aulas (16 salas ao todo numa média de 400 alunos)

Por temer a traição da memória recorro às redes sociais afim de ser fiel aos fatos que marcaram o ano que finda, foram inúmeras postagens.... Dizem alguns aqui de casa que teve até arroz queimado por ter me distraído espinhando a janelinha virtual (o que nego sem muita convicção) Teve também amig@s próxim@s enciumad@s por tantas curtidas e compartilhamentos. (É possível que tenha havido um certo exagero). Fato é que não faltou tempo para os encontros reais. Teve muita cerveja, comida boa, música, poesia e abraços apertados. Reuniões e inúmeras pautas debatidas no partido (Psol), no sindicato (Apeoesp Franco da Rocha) nas escolas e na comunidade. E claro Reflexão Filosófica e Práxis Revolucionária nas Associações de Filosofia (Aproffesp e Aproffib).

Esperançados foram os primeiros dias de janeiro de 2017, dias de férias acarinhado as crias, passeando no parque fazendo bolinho de chuva saboreando as delicias e simplicidade da vida.

Nem bem chegou o Carnaval vieram as atribulações com a Atribuição de aula, Planejamentos e volta ao trabalho!

O Governo ilegítimo e seus golpistas não nos deram trégua e tivemos que arregaçar as mangas e ir pra luta, contra as Reforma/Desmonte das leis trabalhistas. E fomos pra ruas, tomamos as praças e em 08 de março realizamos Assembleia Estadual de professores com indicativo de greve e nos juntamos à Marcha das Mulheres, gritando numa só voz "Nenhuma a Menos"! Não aceitamos nenhum tipo de violência de gênero, não aceitamos o amento da violência contra a mulher e combatemos a cultura machista patriarcal que machuca e mata mulheres aos milhares no mundo inteiro sendo o Brasil o 5º país com maior taxa de feminicídio. Não aceitamos a Reforma da Previdência que vitima toda a classe trabalhadora e de modo ainda mais perverso às mulheres.  "Porque o nosso lugar é onde nós quisemos estar!"

E assim foram os nossos dias marcados por muitas lutas e mobilizações em preparação a uma grande greve geral para barrar as reformas e denunciar a política reacionária e fundamentalista de Temer. Nos posicionamos Contra a Reforma do Ensino Médio, Contra a Reforma da Previdência que ameaça o direito à aposentadoria e Contra a Terceirização que precária as condições de trabalho afetando toda a Classe Trabalhadora da qual fazemos parte.

Como nem tudo são pedras, e sigo por convicção as pegadas da grande filosofa Rosa de Luxemburgo, ciente do peso das correntes, o árduo caminhar me levou à integrei a Direção Estadual da Aproffesp (Associação de professores de filosofia e filósofos (as) do Estado de São Paulo). Contribuindo no campo sindical na reflexão e práxis para construção de uma sociedade mais justa e fraterna edificada no direito ao livre pensar. Parafraseando Gramsci, seguimos instruindo, "porque teremos necessidade de toda vossa inteligência. Agitai-vos porque teremos necessidade de todo vosso entusiasmo. Organizai-vos porque teremos necessidade de toda vossa força. ”

Em abril hasteamos bandeiras de esperança por todo o Brasil, construímos uma grande mobilização e paramos o país. A classe trabalhadora acenava para as direções sindicais sua disposição para a luta contra às reformas, conclamando uma greve geral no dia 30 de junho, infelizmente os "representantes burocratizados" não intenderam o recado e desceram as bandeiras à meio-pau.

Em 1º de maio a Praça da Sé (Não tão lotada como outrora) celebrou a vida e a luta da Classe trabalhadora. Num cenário de retrocesso e ataques brutais contra o Conjunto da Classe Trabalhadora, avanço do conservadorismo e de ideias fascistas que ameaçam a democracia e as conquistas dos últimos períodos, ameaçando sobre maneira a nós mulheres lembramos uma vez mais Simone de Beauvoir: “É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta”. Nós assumimos mais uma vez a vanguarda e fomos para o enfrentamento irmanadas com nossos companheiros que já se emanciparam dos velhos conceitos machistas, sexistas e intenderam que a luta é de todas e todos contra o sistema da dominação do capital que explora homens e mulheres e agora ameaça de modo vil as gerações futuras. Nossa luta é contra o sistema capitalista.

Ainda no primeiro bimestre do "longo ano" teve eleições da Apeoesp. Teve Oposição Unificada (Lutamos o bom combate) garantimos direções de várias Subsedes de Luta, Infelizmente na direção Estadual ainda somos minoria, não conseguimos derrotar a Chapa da situação que jogou toda a estrutura sindical e partidária a favor da continuação de um sindicato que consideramos demasiado burocratizado.

Resumo em breves pinceladas o segundo semestre que foi duro e impôs derrotas significativas à classe trabalhadora. Diante de um sindicalismo “entorpecido” Assistimos a consolidação do Golpe que culminou com a aprovação das chamadas "Reformas" verdadeiro desmonte das leis trabalhistas com aprovação da Terceirização, Retrocesso nas Leis Trabalhistas, etc...

Findamos o ano com a ameaça da aprovação da Reforma da Previdência que ataca de forma direta o conjunto da classe trabalhadora.

Porém, se é verdade que perdemos, também é verdade que não arregamos e na primeira hora de 2018 estaremos apostos para defender a construção de uma sociedade mais justa e Fraterna, uma sociedade socialista.

Abraço de Luta Companheirada! Nos encontramos nas trincheiras de 2018

É preciso Resistir, Lutar e não Desistir Jamais!

Lúcia Peixoto, Filósofa, Militante do Psol, da APEOESP e da APROFFESP.